cotação hoje

Guia

Como ler a cotação do dólar: comercial, turismo e PTAX

Três taxas diferentes circulam com o mesmo nome no noticiário e no aplicativo do banco. Entender qual é qual evita a comparação errada — e a surpresa no balcão.

Publicado em outubro de 2026. Encontrou um erro de dado ou de texto? Escreva pela página de contato — a correção é publicada com a data da revisão.

Três números que aparecem com o mesmo nome

Em qualquer dia útil circulam, ao mesmo tempo, taxas diferentes chamadas de “dólar”: a do mercado interbancário, em que as instituições negociam entre si; a praticada no varejo para viagens; e a PTAX, publicada pelo Banco Central como referência. Elas costumam ficar próximas, porque reagem aos mesmos fatores, mas medem mercados e finalidades distintos. Comparar uma com a outra como se fossem a mesma coisa é a origem mais comum de conclusão errada sobre câmbio.

Este guia separa os três conceitos, diz o que cada número é — e o que não é. Também explica por que o valor exibido em sites de cotação, como o da cotação do dólar neste site, quase nunca coincide com o preço final da operação no banco ou na casa de câmbio: a taxa de câmbio é livremente pactuada entre a instituição autorizada e o cliente (Lei 14.286/2021, art. 2º, parágrafo único).

Dólar comercial: a referência do atacado

O mercado interbancário de câmbio é o segmento em que as instituições autorizadas negociam moeda estrangeira entre si — é o atacado do câmbio brasileiro. O “dólar comercial” mostrado em telas de bancos, corretoras e noticiários corresponde, em essência, à taxa de referência desse segmento. É o número usado como base em contratos, no comércio exterior e em boa parte das análises de mercado, e é o valor que este site acompanha nas páginas de moedas.

Vale saber o que essa expressão não é: não existe definição normativa de “dólar comercial” como produto de varejo — é um nome de mercado, não uma taxa criada por norma. O que o Banco Central publica é a PTAX, a referência do real contra o dólar descrita mais adiante. Por isso, frases como “o Banco Central definiu o dólar comercial de hoje” descrevem mal o que acontece: o BCB divulga uma referência calculada a partir de cotações do mercado, e o preço de cada operação se forma na negociação.

Dólar turismo: mesmo nome, outro mercado

“Dólar turismo” é o nome usual da taxa praticada no varejo em operações típicas de viagem: compra de papel-moeda em espécie, carregamento de cartão internacional pré-pago e cheques de viagem para gastos pessoais. Também não existe definição normativa do termo: o que a norma descreve são as modalidades de operação, cada uma com sua alíquota de IOF (Decreto 6.306/2007, art. 15-B, incisos X e XX).

Por ser uma taxa de varejo, ela carrega o custo da instituição que a pratica: a moeda em espécie precisa ser comprada, transportada, armazenada e segurada, e o cartão pré-pago envolve emissão e liquidação. Em geral — sem percentual fixo e sem regra que obrigue a um valor —, as taxas de turismo são menos favoráveis ao cliente do que a referência do atacado, porque embutem o spread da instituição e os demais custos da operação.

Como toda taxa de câmbio no Brasil, a do varejo é livremente pactuada: não existe “a cotação do dólar turismo”, existem cotações praticadas por cada banco, corretora e casa de câmbio, e elas podem diferir bastante entre si na mesma hora. Comparar instituições no mesmo momento diz mais sobre o custo real do que acompanhar o noticiário. E vale lembrar que as operações de câmbio só podem ser feitas por instituições autorizadas pelo Banco Central (Lei 14.286/2021, art. 3º).

PTAX: a referência que o Banco Central publica

A PTAX é a taxa de câmbio de referência do real em relação ao dólar publicada pelo Banco Central — a mais usada no mercado cambial brasileiro. Desde julho de 2011, ela não é uma média de contratos negociados: o BCB consulta dealers de câmbio credenciados em quatro janelas diárias, com o horário exato sorteado dentro de cada janela — entre 10h e 10h10, 11h e 11h10, 12h e 12h10 e 13h e 13h10, no horário de Brasília, em dias úteis. Cada dealer envia uma taxa de compra e uma de venda, e o cálculo descarta as duas maiores e as duas menores de cada ponta antes de fazer a média simples do que resta.

O resultado sai em cinco boletins por dia: um de abertura, três intermediários e um de fechamento. O boletim de fechamento não é a última negociação do mercado — é a média aritmética dos quatro boletins anteriores do mesmo dia. É por isso que a PTAX de fechamento quase nunca bate com o valor que apareceu na tela em algum momento da tarde.

O que a PTAX não é

  • Não é a taxa que o consumidor recebe: a taxa de câmbio é livremente pactuada entre a instituição autorizada e o cliente (Lei 14.286/2021, art. 2º, parágrafo único).
  • Não é “o fechamento do dólar”: é uma média de cotações interbancárias capturadas até 13h10, não o último negócio do dia.
  • Não é fixada por decisão do Banco Central: o cálculo é automático, a partir das cotações que os dealers enviam.
  • Não é referência obrigatória em contratos privados: as partes podem pactuar a referência que quiserem — a PTAX é a mais usada, não a única válida.

A PTAX serve de referência para contratos futuros e de opções de câmbio negociados na B3, para derivativos de balcão e para a contabilidade de empresas com operações em moeda estrangeira. Para quem acompanha a cotação no dia a dia, ela funciona como a régua do atacado: os links oficiais para consultar os boletins estão no fim do guia.

Por que o valor da tela não bate com o da casa de câmbio

O número exibido em sites de cotação, noticiários e conversores é uma referência de mercado, apurada em um instante e mostrada com data e hora. O valor da sua operação é o valor daquela operação: a taxa pactuada com a instituição escolhida, mais o IOF devido pela modalidade e, quando houver, tarifas de serviço. Nenhuma dessas parcelas aparece na referência.

No cartão internacional existe mais uma taxa: a taxa de conversão do próprio emissor, que por norma deve ser divulgada em todos os canais de atendimento ao cliente até as 10h do dia seguinte — para as operações do dia anterior — e ter histórico publicado em dados abertos (Resolução BCB nº 277/2022, art. 82). É esse número, e não a referência exibida em um site, que aparece na sua fatura.

Quanto custa, em reais, cada uma dessas parcelas na conversão — spread, IOF e tarifas — é o assunto do outro guia deste site: quanto custa converter moeda.

Dólar paralelo não é um mercado autorizado

O chamado “dólar paralelo” não é uma cotação oficial e não corresponde a um mercado autorizado. As operações de câmbio devem ser realizadas por meio de instituições autorizadas pelo Banco Central (Lei 14.286/2021, art. 3º). Realizar operação de câmbio não autorizada com a finalidade de promover evasão de divisas é crime, com pena de reclusão de dois a seis anos e multa (Lei 7.492/1986, art. 22).

Não existe taxa oficial de dólar paralelo porque nenhum órgão público publica esse valor — é uma questão de ausência: o Banco Central divulga as taxas do mercado autorizado, e nada além disso. Por isso este site não exibe esse número. Quem precisa de moeda estrangeira encontra, nos canais autorizados, um preço identificável, comprovante da operação e a proteção das regras do mercado de câmbio.

Como usar as cotações deste site

As cotações publicadas aqui são referências de mercado, atualizadas automaticamente a cada cinco minutos e sempre acompanhadas do horário do último registro da fonte. Elas ajudam a:

  • acompanhar o movimento do dia e compará-lo com o histórico recente;
  • entender a diferença entre os preços de compra e de venda antes de pesquisar preços nas instituições;
  • converter valores para ter uma ordem de grandeza — nunca como valor final de uma operação.

Antes de fechar qualquer operação, o caminho útil é pedir à instituição o valor final em reais, já com IOF e tarifas incluídos, e comparar com o de outra instituição no mesmo momento. A metodologia explica de onde vêm os dados deste site, o que a fonte declara e quais são os limites dessas referências. E quem quiser o contexto mais amplo encontra no guia do mercado financeiro como o câmbio se conecta ao resto da economia.

Fontes

Textos oficiais usados para escrever e revisar este guia:

Perguntas frequentes

Dólar comercial e dólar turismo são a mesma taxa, só com impostos diferentes?

Não. Nenhuma das duas expressões tem definição normativa — são nomes de mercado. O “comercial” se refere à taxa de referência do segmento interbancário, usada em contratos e no comércio exterior; o “turismo” se refere à taxa praticada no varejo em operações típicas de viagem, que carrega o spread e os custos da instituição. O IOF existe nas duas pontas e depende da modalidade da operação (espécie, cartão, remessa), não do nome da taxa.

A PTAX é a cotação oficial do dólar que eu pago?

A PTAX é a taxa de câmbio de referência publicada pelo Banco Central e a mais usada no mercado brasileiro, mas não é a taxa que o consumidor paga. A taxa da sua operação é livremente pactuada entre a instituição autorizada e o cliente (Lei 14.286/2021, art. 2º, parágrafo único). A PTAX mede o ambiente interbancário em janelas específicas do dia, e a PTAX de fechamento é a média aritmética dos quatro boletins do mesmo dia.

Se a PTAX é calculada até as 13h10, o câmbio do dia acaba nesse horário?

Não. A PTAX é uma referência apurada em quatro janelas entre 10h e 13h10, mas o mercado segue funcionando depois disso. O registro das operações no Sistema Câmbio vai até as 17h para eventos do mercado interbancário e até as 19h para o mercado primário e as arbitragens (Resolução BCB nº 277/2022, art. 78); operações fechadas depois desses prazos entram no movimento seguinte. Na B3, o dólar futuro negocia das 9h às 18h30.

Por que este site não publica a cotação do dólar paralelo?

Porque não existe taxa oficial de dólar paralelo — nenhum órgão público publica esse valor — e porque operações fora das instituições autorizadas são irregulares: realizar operação de câmbio não autorizada com a finalidade de promover evasão de divisas é crime, com pena de reclusão de dois a seis anos e multa (Lei 7.492/1986, art. 22). As cotações publicadas aqui são referências do mercado autorizado.

Para continuar

Conteúdo informativo e educacional. Os valores são de referência, podem variar entre instituições e não incluem spread, IOF ou tarifas. Este site não faz recomendação de investimento, não intermedia operações e não recebe dinheiro de corretoras.